Vamos falar de obras olímpicas!


As obras para a realização dos Jogos Olímpicos estão rodeadas por elogios e críticas. Algumas construções seguem o cronograma para receber as competições no prazo, como a vila dos atletas, com 85% da obra concluída. O campo de Golfe, no entanto, é alvo de críticas desde o planejamento inicial.

Isto porque os moradores da Vila Autódromo, comunidade próxima ao campo, estão sendo removidos a outras localidades ou recebem indenizações numa demolição realizada com documentação confusa.

Na Barra e Deodoro, as construções buscam seguir o cronograma de finalização. O campo de Hóquei, usado no Pan de 2007, precisou ser inteiramente refeito do zero, fato que desagradou todos os praticantes da modalidade, devido à dificuldade gerada ao andamento do campeonato nacional e treinos da Seleção.

A Baía de Guanabara é o ponto mais crítico. Com uma poluição a níveis alarmantes, e que chamou a atenção da imprensa internacional, foi iniciado um projeto de limpeza, meses antes da Copa do Mundo, o que teoricamente dava tempo para reduzir a poluição a abaixo de 50%. Mais de 8 mil pneus foram removidos da baía, juntamente com sacos de lixo e impurezas. Mas o processo não teve andamento e os colunistas de plantão fazem duras críticas e artigos com títulos pesados. Estes mais voltados à Guanabara do que o restante do trabalho.

Depois dos graves atrasos nas obras da Copa do Mundo, o COI decidiu ser bem mais rigoroso na fiscalização dos trabalhos e inseriu equipes próprias para se certificar do bom andamento. De acordo com o portal G1, não há obras atrasadas entre mobilidade, infraestrutura, legado esportivo e meio ambiente.

Estas duas últimas questões foram muito discutidas por especialistas, como veremos a seguir, devido ao superfaturamento na Copa e o que fazer com as instalações após os Jogos. Desde antes do fim de seu ciclo, Atenas teve uma série de problemas na realização da Olimpíada de 2004, com atrasos nas obras e problemas na mobilidade.

Ainda de acordo com o portal, o custo total das obras é de 38,2 bilhões de reais, o que já ultrapassa em muito o custo do Pan de 2007, 2 bilhões. Fato que uma Olimpíada tem, no mínimo, o triplo de tamanho de seu equivalente continental, e isso se reflete nos gastos.

A maior porcentagem desta quantia está sendo direcionada ao legado, 24 bilhões. Isto muito se deve ao escasso legado deixado pelo Pan, visto que Deodoro inteiro precisou ser reformado e todas as arquibancadas e sinalizações usados no local foram descartados, houve uma forte deterioração nos campos de Hóquei e arredores.

Exemplos

As recentes edições dos Jogos Olímpicos mostraram como as instalações podem ser aproveitadas nos meses e anos seguintes, mas também como elas podem trazer um grande prejuízo se mal utilizadas.

Dois casos evidenciam bem o uso das instalações no pós-Olimpíada: Sydney-2000 e Atenas-2004. Curiosamente, a cidade australiana, que tem mais tempo de uso das obras, e consequentemente um gasto potencialmente maior de manutenção, desenvolveu um plano de uso mais desenvolvido e eficiente, contando também com a melhor situação econômica do país.

A capital grega, e berço dos Jogos, se empenhou em receber a Olimpíada desde 1996, quando a escolha foi para Atlanta devido à fraca estrutura apresentada. Os gregos então investiram mais de nove bilhões de euros para erguer um complexo capaz de convencer o COI.

Após a realização dos Jogos, e especialmente a crise de 2008, a Grécia enfrentou uma séria dificuldade financeira em manter as instalações e usufruir de seu legado. Com exceção do Estádio Olímpico, a Arena de Basquete e o Centro de Tiro, ainda aproveitados por equipes locais e pela polícia grega, as obras estão abandonadas, com pichações, mato crescente, placas caídas e degradadas.

Sydney, pelo contrário, recebeu a Copa do Mundo de Rugby em 2003, juntamente com outras cidades australianas, e organizou o jogo de abertura, a final e demais jogos no Estádio Olímpico (hoje, ANZ Stadium). Anualmente, o Parque Olímpico recebe partidas dos campeonatos nacionais de Rugby, Futebol Australiano, Críquete, Futebol e outros, além de eventos culturais e corporativos.

A Sydney Olympic Park Authority anuncia mensalmente em seu site oficial e redes sociais a programação social, esportiva e cultural do parque, e mantém um posto próximo à estação de trem no qual os visitantes se informam sobre as atividades e podem alugar bicicletas para andar pelas instalações. Telões funcionam por todo o parque quando não há eventos, mostrando as competições olímpicas em cada uma das instalações.

Também ao lado da estação, o Hotel Ibis está aberto e funciona normalmente. A Vila dos Atletas hoje é um conjunto de apartamentos, colocados à venda. Todos já foram vendidos e ocupados num terreno altamente valorizado, às margens do Rio Parramatta, com acesso via ônibus, trem e ferry ao centro de Sydney e uma vista invejável. Um shopping center funciona no subúrbio de Homebush, adjacente ao parque, e a rede IKEA opera em Rhodes, também próximo.


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