Entrevista do Mês – Rayssa Costa


A esgrimista Rayssa Costa, que vai representar o Brasil nos Jogos Olímpicos, falou sobre o início da carreira em Brasília, os desafios em ser atleta e planos para o futuro. A atleta está nos últimos preparativos antes de competir na Arena Carioca 3 em agosto.

– Como foi seu início no esporte?

Comecei a praticar Esgrima aos 14 anos, através do programa da Secretaria dos Esportes chamado “Compete Brasília”. Por conta do perfil físico, fui selecionada para a prática desta modalidade. Aos 17 anos fui convocada para compor a equipe adulta nacional do Brasil. Aos 20, morei na Itália para treinar e melhorar as habilidades no esporte e lá fiquei por dois anos. Em 2014, retornei ao Brasil e hoje moro em São Paulo e treino no Esporte Clube Pinheiros.

– O que te motiva a treinar e competir?

A vontade de me desafiar a cada instante! Desafio o meu corpo e a minha mente para ir além dos meus limites. Eu gosto de sentir a sensação de conquista depois de tanto esforço. Treinar é sempre muito cansativo, confesso que competir me deixava nervosa, mas a sensação de subir ao pódio é tão gratificante que compensa o trabalho duro. Nos últimos anos desenvolvo um trabalho com uma terapeuta desportiva que me ajuda, nas competições e treinos, a entrar em uma espécie de “bolha imaginária” onde concentro toda a minha alta performance e por isso consigo ter um bom aproveitamento físico e mental nesses momentos, sem deixar o cansaço ou a ansiedade me afetarem.

– Qual a importância e o impacto que a esgrima trouxe para a sua vida?

Desde que tenho 14 anos a esgrima entrou na minha vida para me fazer uma pessoa melhor, para me modificar dos padrões da sociedade. Através desse esporte eu aprendi a compartilhar! Sou filha única por parte de mãe e eu costumava não gostar de dividir as minhas coisas. Com as viagens e competições, sempre que a minha espada quebrava eu tinha que pedir outra emprestada de alguém, logo quando a espada do meu colega quebrasse eu teria que emprestar a minha. Aprendi a viver em grupo, inclusive a gerenciar o relacionamento com pessoas que eu não me dava tão bem na equipe. Através da esgrima eu pude conhecer o mundo por causa das competições, já viajei para mais de 30 países, aprendi outros idiomas, conheci novas culturas e pessoas incríveis.

Com a minha idade eu tenho uma experiência de vida bem mais rica do que alguns colegas minhas de infância de mesma idade! Portanto a esgrima e os valores do esporte mudaram completamente a minha vida.

– Quais as habilidades necessárias para um bom esgrimista?

As habilidades necessárias para um bom esgrimista são a concentração, para poder prever qual vai ser a próxima ação do seu adversário, o pensamento rápido, para reagir à ação esperada ou para mudar rapidamente e não ser surpreendido, o reflexo, para se defender e atacar no mais breve momento de oportunidade, a agilidade, para se deslocar em pista e quebrar os movimentos do adversário e a paciência, para entender que tudo isso deve acontecer em um determinado momento preciso, pois caso você adiante o movimento será atingido sem mesmo perceber o que aconteceu. A esgrima é um jogo onde o atleta tem que estar no 100% físico e mentalmente! É um xadrez em movimento…. Muitos médicos e pilotos costumam praticar a esgrima para desenvolver tais habilidades em suas profissões.

– Você pensa em deixar um legado para o esporte?

No futuro penso sim em abrir uma escola de esgrima, principalmente na minha cidade natal, Brasília, pois comecei lá e hoje não há mais nenhum lugar onde as pessoas da cidade possam praticar o esporte. Entretanto é uma tarefa difícil devido à falta de profissionais e formadores nesse ramo. Terei que começar sozinha e do zero!! Mas para isso tenho disposição de sobra…

– Agora que estamos mais próximos das Olimpíadas, houve mudanças nos seus treinos?

Neste último mês, estamos em um diferente estágio de treinamento, com mais treinos por dia e o ritmo está bem maior. É uma competição curta e por isso o ritmo é maior. Estamos com treinos físicos, que incluem velocidade, táticos e o jogo em si, quando colocamos tudo em prática. Além do acompanhamento de uma psicóloga esportiva, que me acompanha há três anos, e tem sido fundamental nesta época.

– Em quais dias você vai competir?

A prova individual será no dia 06 e a por equipes no dia 11.

– Boa sorte! Estamos na torcida!
Obrigada!


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