Quatro exemplos que a NFL dá ao Brasileirão, na visão de especialistas


Este começo de temporada da NFL já ocupa um grande espaço na TV por Assinatura no Brasil, com cinco jogos transmitidos em sequência num domingo. Diante da proporção quase bíblica da liga, conversamos com dois especialistas no assunto, para entender quais exemplos principais a NFL pode dar ao Brasileirão, com o intuito de um maior alcance global.

Adalberto Leister Filho, colunista da Máquina do Esporte e professor de Jornalismo na Anhembi Morumbi, e Gabriel Mandel, editor do portal especializado The Playoffs e sócio da Esportes830, listaram quatro exemplos da liga norte-americana e comentaram sobre o caminho que deixam ao Brasileirão.

Vamos a eles!

1. Pense além das quatro linhas. Isso não é apenas um jogo!

Para começar, um exemplo que ambos concordam é o fato da NFL ter se tornado um produto, e não um campeonato. Ele é consumido, em vez de assistido. Gabriel comenta os passos para isto.

“A liga entendeu quais eram as necessidades da imprensa e aproximou os atletas do público. Alocou jogos para horários que agradem a torcida, montou um calendário para que os jogos nacionais sejam os mais importantes. Em suma, mostrou que se preocupa com o público e dará o que ele quer de melhor”.

E como ajuda se você proporciona um ESPETÁCULO como na última temporada!

“O investimento em marketing ajudou a dar maior visibilidade à NFL. Mas ressalto que essa busca por internacionalização da marca foi atrasada em relação à NBA. Por exemplo, enquanto a NFL desfrutava de enorme sucesso em nível nacional, nunca se preocupou muito com esse assunto. E a NBA, que não conseguia tanta repercussão internamente, é que buscou antes a internacionalização da marca”, destaca Adalberto.

2. Saiba adaptar seu produto a outros mercados

Como potencializar o Brasileirão num mercado estrangeiro, com outra cultura e outras formas de consumir o esporte?

“Uma das alternativas é adaptar o horário dos jogos, para que seja mais vendável para Estados Unidos, China e mercado europeu. Os jogos de segunda à noite infelizmente não chegam no horário nobre das televisões de outros mercados. Um país que faz isso bem, na minha opinião, é a Espanha. Lá, os jogos são realizados ao longo do dia, então você sempre tem partidas adequados a diversos mercados no mundo”, conta Gabriel.

3. Mas primeiro, busque mercados próximos

“Falta aos clubes brasileiros uma política de internacionalização de marca. Os times daqui poderiam ao menos explorar a presença de craques argentinos, colombianos, uruguaios, paraguaios e peruanos para conquistar o público de nossos países vizinhos e nem isso fazemos. É necessário que os clubes aproveitem melhor suas pré-temporadas para realizar amistosos no exterior e assim fixarem suas marcas. Poderiam, de novo, explorar melhor essa visibilidade com nossos vizinhos, antes de buscarem outros mercados importantes, como EUA e China”, ressalta Adalberto.

4. Por fim, um breve estudo de caso: Os jogos da NFL na Inglaterra

A primeira vez que a NFL realizou um jogo de temporada regular foi 2007, entre New York Giants e Miami Dolphins, diante de 81 mil pessoas no Wembley Stadium. Desde então, quase todos os anos tem pelo menos um jogo da liga em solo inglês. O sucesso da empreitada foi tão grande que já foram realizados 17 jogos até a temporada 2016/2017 e mais quatro estão marcados para a próxima temporada.
Perguntamos aos especialistas sobre as razões que levaram a este sucesso, considerando que os jogos ocorreram no berço do Rugby e os ingleses sempre foram doentes pelo esporte que criaram.

“Os norte-americanos sabem fazer uma promoção bem feita do seu esporte e têm laços históricos com a Inglaterra. Era esperado sim que houvesse sucesso nessa iniciativa da liga de conquistar o público britânico. Além disso, a Inglaterra é um país com cultura esportiva de fato. E não é o que acontece aqui, onde temos apenas cultura futebolística”, afirma Adalberto.

“A principal razão é o fato da NFL ter se tornado um produto muito vendável, como já dissemos. Além disso, existe o sentimento de exclusividade e pertencimento. A partir do momento em que você oferece ao fã de esportes um conteúdo exclusivo e diferenciado, a tendência é ele se interessar mais. Fazendo um breve comparativo, um show internacional no Brasil tem alto interesse pela questão da exclusividade. Mas quando o artista passa a se apresentar todo ano por aqui, esse interesse cai”, comenta Gabriel.


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